12 In(definições)
12.1 Teoria da Definição
“Definiologia”: junto à arqueologia, etimologia, genealogia, “historiologia” etc.
Realçar mais a noção de começar por definir?
O processo de definição:
Definição: conversão de um discurso infinito em uma formulação finita.
O processo de definição e interpretação é infinito; infinitude do processo de semiosis, Eco (1986) Cap 2.
Definições descritivas e prescritivas (operacionais), Eco (1986) Cap. 2 págs. 71-72.
Circularidade: definições nos ajudam a entrar num assunto onde as explicações tendem a ser circulares, quando uma coisa depende da outra e vice-versa.
Discussão de Eco (1986) Cap. 2.
Toda definição também é uma iniciação para quem deseja começar um discurso ou para quem toma contato pela primeira vez com um assunto.
Sendo possíveis inúmeras marcas e recortes, inúmeras definições distintas são compatíveis, assim como inúmeras ontologias e perpectivas.
A cada escolha feita opta-se por uma bi-, tri- ou n-furcação. O que pode ser um convite a um retorno posterior para investigação dos caminhos antes não escolhidos.
Dificuldade imposta não somente pela jornada de retorno como principalmente em saber quais seriam todas as escolhas possíveis a cada ponto de decisão.
Definições perspectivistas: quem define o faz a partir de um lugar (standpoint) e depois de uma caminhada.
Definir é melhor se vem acompanhada de uma construção, de uma discussão que chegue até a definição.
Definições em Brillouin (1962).
Definição como função do tempo e de quem define.
Terminologia científica composta por definições precisas ou por redes terminológicas e de inferências, Sklar (1993) págs. 102-104.
Definição e conciliação:
É muito difícil lidar com conceitos quando se busca uma relação consensual com as palavras, dando significados que contemplem todos os seus usos; de modo consistente e não-contraditório; e atendendo a todos os interesses de que as usa.
Mais fácil criar terminologias e ontologias locais.
Ontologia Local Temporária, tal como em Eco (1986).
Definir o que é para definir o que não é.
Definir une e divide.
Definições que não são assim teriam algum sentido?
Adicionar, que de acordo com metodologia descrita a seguir, as definições sempre podem ser redefinidas adiante.
Teoria da Definição de Aristóteles:
Castoriadis (2002) pág. 33.
Eco (1986) Seção 2.2.1 pág. 57, indica um processo de seleção de atributos de um elemento que se aplica muito bem à classificação de elementos, porém não funciona tanto para definições mais abstratas onde não se trata (apenas) de separar entidades mas de criar sentidos e expressar processos:
“We must select attributes of this kind, up to the point where, although each of them has a wider extension that the subject, all together they have not; this will be the essence of the thing” (96a35).
Indicar na nota marginal do trecho que menciona a teoria das definições de Aristóteles em Eco (1986) que as referências entre parênteses são da obra de Aristóteles (indicar via bibliografia).
Uso de definições e indicações no ensaio:
Não tem a intenção de criar definições lacradoras, finais.
Além das definições, assim que possível serão indicadas as hipóteses etc.
Quando não for definida, qualquer palavra/termo será considerada uma noção e estará mais aberta a ambiguidades do que as palavras definidas, etimologizadas ou explicitamente explicadas.
O desafio de uma boa definição está, em ordem de prioridade:
Serem as corretas, isto é, as mais compatíveis com o que se quer expor.
Em compatibilizar as definições e usos existentes dos termos.
Polemizar com elas, quando necessário.
Terem originalidade.
O perigo da proliferação não somente de padrões10 como também de definições, valendo especialmente para o caso da nossa necessidade de definir melhor o que entenderemos por “informação”.
Todo conceito transborda e pode impelir a explosição de qualquer definição.
Mudanças de sentido com as mudanças dos modos de viver, Peters (1988) págs. 9-10:
Our words have a life of their own, though it is our life too. As we speak, blithely thinking that we are using a glassy medium for expressing our unique thoughts and experiences, language conspires against us and the pleasure we take in our own originality. Words have their rhymes and reasons which speak through us in many voices-the voices of others we love or fear, of the dreams and desires that loosely compose our selves, of ancestors we never knew nor met. Words too have their histories and their longings, which leave their hieroglyphic marks everywhere. The echoes of past ectasies, and despairs, resound in human talk, though they are usually muffled and we usually oblivious.
Such a conception of language is often resisted because it seems to conjure the specter of animism, something that modems, being more comfortable in the sunlight than the moonlight, have worked so dilligently to banish. It seems to make language into a netherworld populated by the ghosts of departed ancestors; it seems to make us into beings possessed by demons or angels instead of ourselves. It violates our sense of being the masters of language and of language as a tool, a symbolic system for transmitting information. It is the information that matters, we assure ourselves, not the words. When words push back against us and our intentions, we tell ourselves that this is merely an unusual case, a temporary setback to the clean communication of information
[…]
Words have many and conflicting senses, sometimes outright opposing ones (cleave: to divide, to join). The senses of words hang together less like logical propositions than like inhabitants of a house or city. Not logic but life, in Wittgenstein’s great insight, governs the structure and coherence of discourse. The meaning of a given “language-game” comes from the “forms of life” with which it is &dquo;interwoven.&dquo; Some strings of sentences that will be natural and intelligible in some contexts will be opaque or outlandish in others. Or, such strings may become fixed as a standard part of the language though the forms of life which once undergirded them have long since shifted, dissolved, or migrated. As the forms of life change, so must the tissues of sense in words, the language-games. The story of information is just such a one of dissolving and migrating forms of life.
12.2 Desambiguação
- Reduzindo ambiguidades:
- O caso das RFCs:
As RFCs são um exemplo muito interessante de cultura escrita que necessita ser precisa para uma comunidade que requer tais documentos para que possa implementar sistemas de comunicação entre si! A redução de ambiguidades é aqui utilizada como necessidade dada a ausência de abundante comunicação oral entre participantes da rede, já que oralmente a comunicação poderia incluir redundâncias suficientes para reduzir as ambiguidades.
Exemplo da RFC sobre teminologia não-ambígua. Exemplo:
1.1. Terminology
The key words “MUST”, “MUST NOT”, “REQUIRED”, “SHALL”, “SHALL NOT”, “SHOULD”, “SHOULD NOT”, “RECOMMENDED”, “NOT RECOMMENDED”, “MAY”, and “OPTIONAL” in this document are to be interpreted as described in BCP 14 [RFC2119] [RFC8174] when, and only when, they appear in all capitals, as shown here.
– https://tools.ietf.org/html/draft-moriarty-tls-oldversions-diediedie-00
- Lojban:
Para reduzir ainda mais as desambiguações, poderia usar o texto em Lojban, porém isto fica como exercício solto no ar :)
Ou questionar as premissas de Lojban.
- O caso das RFCs:
- Mantendo ou mesmo aumentando as ambiguidades:
- Por outro lado, as ambiguidades deixadas num texto tornam-no aberto e capaz de inspirar através de diferentes entendimentos.
- Excesso de definições e de terminologia:
Profusão de terminologias pode11:
Se apresentássemos aqui uma lista exaustiva da enxurrada de novas palavras encontradas no debate sobre o “futuro do trabalho” nos últimos cinquenta anos, logo nos sentiríamos afogadas e afogados em meio a neologismos que já se tornaram ou ainda irão se tornar, em breve, velhos – dada sua “obsolescência programada”.77 A adesão desavisada ao intenso fluxo desta profusa terminologia, pode desconectar o discurso atual de estudos anteriores, impedindo assim sua inteligibilidade (HUWS, 2019: 2). Além disso, favorece, muitas vezes, em prejuízo dos trabalhadores, um vocabulário técnico e científico fetichista que está na ponta da língua dos acionistas, consultores ou gestores de empresas.
12.3 Linguagem
- Nota sobre o reconhecimento da polissemia, da semiose infinita, dos significados anteriores dos termos, da importância do distanciamento
12.4 Retrônimos, anacrônimos, sincronia e diacronia
Este capítulo inicia a adoção de uma série de conceituações que representam perspectivas contemporâneas e que serão aplicadas retroativamente em_ situações ocorridas antes_ das conceituações.
Até o Capítulo ??, muitas das definições serão retronômicas e em parte anacronísticas.
A partir do Capítulo @ref{vsm}, as definições serão mais contemporâneas aos acontecimentos narrados.
Sincronia e diacronia, Bechara (2009) - Cap. Teoria Gramatical - Seção C - Item 6 - Sincronia e Diacronia.
Retrospecto retroalimentativo via conceituação retrospectiva: uso de definições posteriores ao processo explicado.
12.5 Tempo, Espaço, Percepção e Observação
Definir/explicar as noções de tempo, espaço, observação etc escolhidas, apontando as vantagens, desvantagens, limitações e críticas. Mencionar que a discussão continua no próximo capítulo, na seção “Máquinas históricas”.
“A Ordem do Tempo”, Rovelli (2018).
“What is time? What is space?”, Rovelli (2006).
“O Tempo Arqueológico”, Magalhães (1993).
“O ser e o tempo da poesia”, Bosi (1977).
“Tempo e história”, Capítulo V de Debord (1997).
“As culturas e o tempo”, Ricoeur (1975).
Tempo e narrativa:
Tempo, Maffei (2014) Cap. III.
Tempo, Cauquelin (2023) Seção “O tempo das máquinas”, pág. 54.
“Espacio, Tiempo, Materia”, de Xavier Zubiri.